Da "Imitação de Cristo', de Tomás de Kempis (século XV), sacerdote:
Tu me és testemunha, ó Deus, de que nenhuma coisa me pode consolar, nenhuma criatura dar repouso, senão Tu, meu Deus, a Quem desejo contemplar eternamente.
Mas tal não é possível enquanto eu viver neste estado mortal. Até lá, terei os livros sagrados por consolação e espelho de vida, e sobre tudo isto o Teu santíssimo Corpo por único remédio e refúgio.
E, na verdade, sinto que duas coisas me são, sobretudo, necessárias neste mundo, sem as quais esta vida miserável se me tornaria impossível. Prisioneiro no cárcere deste corpo, confesso faltarem-me duas coisas: alimento e luz.
E assim me deste, a mim, fraco, o Teu sagrado Corpo, para refeição do espírito e do corpo e «a Tua palavra é qual farol para os meus passos e uma luz para meus caminhos» (Sl 118,105). Sem estas duas coisas, não poderia viver bem: a Palavra de Deus, luz da minha alma, e o Teu sacramento, Pão da Vida.
Ambos se podem comparar também a duas mesas, postas dum e de outro lado do tesouro da Santa Igreja. Uma das mesas é a do altar sagrado, que tem o Pão santo, ou seja, o precioso Corpo de Cristo; a outra é a da Lei divina, que contém a doutrina santa, instruindo na verdadeira fé e conduzindo com firmeza para além do último véu, onde está o Santo dos Santos.
Graças a Ti, Criador e Redentor dos homens, que, para mostrares a todo o mundo a Tua caridade, preparaste a grande ceia, na qual ofereceste para comer, não o cordeiro simbólico, mas o Teu santíssimo Corpo e Sangue, e alegras todos os fiéis com o sagrado banquete, inebriando-os com o cálice da salvação, onde se encontram todas as delícias do paraíso.
Aquele que tudo dá a Cristo e por Cristo, esse não perde nada e tudo ganha, como diz Bento XVI. Paulo deu tudo, por Cristo perdeu tudo, e tudo ganhou em Cristo!
Fez de Cristo sua vida, seu trabalho, seu ideal sua realização, e não foi desiludido. No final da vida ele testemunhava: "Eu sei em quem coloquei a minha fé, e estou certo de que ele tem poder para guardar o meu depósito até aquele Dia" (2Tm 1,12). Compreendei bem esta estupenda palavra. O Apóstolo ao final da vida testemunha que tudo quanto fez valeu a pena: ele não foi desiludido na sua esperança, não foi decepcionado na sua certeza. Por isso, como um testamento precioso, deixa-nos estas palavras comoventes: "Quanto a mim, já fui oferecido em libação, e chegou o tempo de minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo Juiz, naquele Dia; e não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua Aparição" (2Tm 4,6-8).
Vede: Paulo está preso; tem consciência que morrerá em breve. Afirma que toda a sua vida foi uma libação, isto é, um gesto, um ato sacrifical de culto a Deus-Pai por Jesus Cristo. Agora, sereno e feliz, certo da fidelidade de Deus afirma: "Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo Juiz, naquele Dia".
Que certeza, que confiança, que esperança, que vida: viver e morrer nos braços do Salvador! Viver e morrer sabendo "que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 8,38-39).
Eis o motivo da Festa de hoje! Eis o motivo de um Ano Paulino! Eis, nesse estupendo discípulo e apóstolo de Cristo um exemplo que devemos ter sempre diante dos olhos e sempre devemos procurar imitar! Que interceda por nós o Bem-aventurado Apóstolo Paulo! Que pelas suas preces nós também sejamos discípulos apaixonados e missionários incansáveis do Cristo nosso Deus, a quem a glória e o louvor pelos séculos dos séculos. Amém.
A resposta generosa, positiva, total, de Paulo ao Senhor que o chamou, tornou-se graça e bênção para toda a Igreja de Deus. É assim: nenhuma vocação é somente para nós. Trata-se de uma realidade pessoal, mas nunca privada, individual! O Senhor nos chama a nós; mas, fá-lo para o bem da Igreja, para a salvação da humanidade, para a vida do mundo.
Sabemos o quanto foi frutuosa a vida e o ministério do Apóstolo, o quanto ele se entregou de coração total ao ministério de anunciar Jesus Cristo pelo bem e a vida dos irmãos. Deixemos que ele mesmo fale; ouçamo-lo: "São ministros de Cristo? Como insensato, digo: muito mais eu. Muito mais, pelas fadigas; muito mais, pelas prisões; infinitamente mais, pelos açoites. Muitas vezes, vi-me em perigo de morte. Dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. Três vezes fui flagelado. Uma vez, apedrejado. Três vezes naufraguei. Passei um dia e unia noite em alto-mar. Fiz numerosas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de estirpe, perigos por parte dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos! Mais ainda: fadigas e duros trabalhos, numerosas vigílias, fome e sede, múltiplos jejuns, frio e nudez! E isto sem contar o mais: a minha preocupação cotidiana, a solicitude que tenho por todas as Igrejas! Quem fraqueja, sem que eu também me sinta fraco? Quem cai, sem que eu também fique febril? Se é preciso gloriar-se, de minha fraqueza é que me gloriarei. O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito pelos séculos, sabe que não minto (2Cor 11,23-31). Vede que é comovente, que é verdadeiro isso que o Apóstolo afirma!
Ó Senhor Jesus, faze que também a nossa vida frutifique em bem para os irmãos, para a Igreja, para o mundo! Tira-nos do comodismo, do egoísmo que nos faz com que nos preocupemos somente conosco e com nosso bem-estar! Faze-nos vossos missionários e testemunhas para que por nosso serviço generoso o mundo creia e, crendo, tenha a vida no vosso santo Nome!
Deus chamou Paulo e Paulo respondeu com generosidade ao Senhor. Ele próprio reconhece: "Mas pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril. Ao contrário, trabalhei mais do que todos eles; não eu, mas a graça de Deus que está comigo" (1Cor 15,10). O Apóstolo reconhece que tudo é graça, que aquilo que ele se tornou foi fruto da obra gratuita de Deus nele; mas também proclama sem medo: a graça de Deus em mim não foi em vão!
Poderia ter sido? Sim, se Paulo tivesse a ela se fechado, se lhe tivesse colocado resistência, se não tivesse feito frutificar os talentos. Mas, ele proclama com humilde simplicidade: "Sua graça a mim dispensada não foi estéril". E sabemos o quanto não foi, sabemos do amor do Apóstolo pelo seu Senhor, da sua correspondência generosa à graça de Deus, fazendo de toda a sua vida uma proclamação do Cristo Jesus.
Lembrai-vos do amor de Paulo ao seu Senhor? "Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro" (Fl 1,21). Quereis mais? Quereis ver o quanto estas palavras não são vazias, frutos de sentimentos ocos? Escutai: "O que era para mim lucro eu o tive como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele, eu perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele... para conhecê-lo, conhecer o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição de entre os mortos. Não que eu o tenha já alcançado ou que já seja perfeito, mas vou prosseguindo para ver se o alcanço, pois que também já fui alcançado por Cristo Jesus" (Fl 3,7-12). Vede, nestas palavras, o quanto de amor, o quanto de entrega, o quanto de vida, o quanto de verdade brotada da carne da própria existência toda vivida por Cristo e para Cristo!
Não nos deveria causar inveja uma vida assim, uma correspondência tão generosa à graça de Deus? Pensemos em nós, pensemos na nossa vida, pensemos no modo como estamos correspondendo ao dom da vocação cristã que o Senhor nos concedeu. Talvez não possamos corresponder como Paulo... Não nos preocupemos, porque a semente que cai na terra e dá fruto pode dar trinta, ou sessenta, ou cem... Não importa o tanto, importa que seja tudo quanto possamos dar!
O que aconteceu com Saulo de Tarso na estrada de Damasco é pura iniciativa, puro dom, pura graça de Deus. Não foi Paulo quem escolheu o Senhor; foi o Senhor quem, na sua misericórdia, escolheu e chamou Saulo. Ele mesmo recordará: "Pela graça de Deus sou o que sou (1Cor 15,10). E sempre reconheceu que foi Deus, o Pai de Jesus Cristo nosso Senhor, quem o chamou para o ministério. Dirá ele, recordando o dom da vocação: "Quando, porém, aquele que me separou desde o seio materno e me chamou por sua graça, houve por bem revelar em mim o seu Filho (Gl 1,15-16)...
Eis: Deus o separou desde o seio materno, Deus o chamou por sua graça! Que mistério, os planos de Deus para cada um de nós! Saulo, apesar de reto e bem intencionado, era um cego e duro perseguidor dos discípulos de Cristo; Saulo fez mal à Igreja do Senhor e, no entanto, é exatamente a ele que o Cristo nosso Deus escolhe, para nele mostrar toda a força da sua graça, toda a gratuidade de sua escolha, para que nem Paulo nem ninguém possa se gloriar dos dons recebidos! Somente ao Senhor pertence a glória, a ele, autor e dispensador de toda a graça, raiz de toda vocação. A Festa de hoje é um tributo admirado à graça de Deus, que chama quem quer com total gratuidade, sem merecimento algum nosso!
Se Saulo de Tarso foi chamado para a fé em Cristo Jesus e para o seu santo serviço, não invejemos o Apóstolo, mas recordemos que todos e cada um de nós recebeu também o dom, o selo da vocação: pela graça de Deus fomos chamados à fé no santo Batismo; pela graça de Deus fomos constituídos testemunhas de Cristo até a morte pelo sacramento da Crisma. Somos membros do Povo Santo, somos uma Nação sagrada uma Raça eleita, somos o Novo Povo de Deus!
Caro Internauta, coloco também aqui um resumo bem resumido do dia do Papa: o vídeo começa com a primeira entrada do novo Papa no Palácio Apostólico, logo após sua eleição. O Cardeal Camerlengo o conduz e abre os aposentos, lacrados logo após a morte do antigo Papa). Depos o vídeo mostra logo cedo a Santa Missa (note que é versus Deum, isto é, com o celebrante voltado para o crucifixo), a ação de graças, as audiências (no vídeo recebe o Presidente do Egito), o almoço sempre com alguém para tratar de assuntos da Igreja, o terço após o almoço com seus dois secretários, aos domingos a reza do Angelus, os despachos rotineiros no seu gabinete, as audiências com os Cardeais prefeitos das várias congregações (no vídeo, despachando com o Cardeal Secretário de Estado) e, ao fim do dia, assistindo ao telejornal.
Para as más línguas que pensam que o Papa vive no luxo e na boa vida, vê-se um homem numa rotina pesada, dia após dia, gastando a existência no serviço miúdo a Cristo e à sua Igreja... O Papa não é dono de nada, nem mesmo de sua vida: tudo é do Senhor, para a glória do Senhor e o bem da Igreja. Ele é somente, como se definiu no dia da eleição, "um humilde operário da vinha do Senhor".
Um presente para você, meu caro Internauta: uma série de vídeos sobre o Vaticano. Há algumas imprecisões históricas e até erros. Mas, no todo, vale a pena ver...
Liturgia da Palavra para o Domingo da Conversão de São Paulo
Meu caro Internauta, pela ocorrência do Ano Paulino, o Santo Padre permitiu que a Festa da Conversão de São Paulo (25 de janeiro) seja celebrada na Missa, mesmo ocorrendo num Domingo. Por isso, as leituras que apresento para o Domingo próximo são as da Festa do Apóstolo.
Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 22,3-16) Naqueles dias, Paulo disse ao povo: 3"Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui criado aqui nesta cidade. Como discípulo de Gamaliel, fui instruído em todo o rigor da Lei de nossos antepassados, tornando-me zeloso da causa de Deus, como acontece hoje convosco. 4Persegui até à morte os que seguiam este Caminho, prendendo homens e mulheres e jogando-os na prisão. 5Disso são minhas testemunhas o Sumo Sacerdote e todo o conselho dos anciãos. Eles deram-me cartas de recomendação para os irmãos de Damasco. Fui para lá, a fim de prender todos os que encontrasse e trazê-los para Jerusalém, a fim de serem castigados. 6Ora, aconteceu que, na viagem, estando já perto de Damasco, pelo meio dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim. 7Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: 'Saulo, Saulo, por que me persegues?' 8Eu perguntei: 'Quem és tu, Senhor?' Ele me respondeu: 'Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu estás perseguindo'. 9Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que me falava. 10Então perguntei: 'Que devo fazer, Senhor?' O Senhor me respondeu: 'Levanta-te e vai para Damasco. Ali te explicarão tudo o que deves fazer'. 11Como eu não podia enxergar, por causa do brilho daquela luz, cheguei a Damasco guiado pela mão dos meus companheiros. 12Um certo Ananias, homem piedoso e fiel à Lei, com boa reputação junto de todos os judeus que aí moravam, 13veio encontrar-me e disse: 'Saulo, meu irmão, recupera a vista!' No mesmo instante, recuperei a vista e pude vê-lo. 14Ele, então, me disse: 'O Deus de nossos antepassados escolheu-te para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires a sua própria voz. 15Porque tu serás a sua testemunha diante de todos os homens, daquilo que viste e ouviste. 16E agora, o que estás esperando? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o nome dele!'"
Salmo responsorial (Sl 24) Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!
Pois comprovado é o seu amor para conosco para sempre ele é fiel!
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 7,29-31) 29Eu digo, irmãos: o tempo está abreviado. Então que, doravante, os que têm mulher vivam como se não tivessem mulher; 30e os que choram, como se não chorassem, e os que estão alegres, como se não estivessem alegres; e os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma; 31e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois a figura deste mundo passa.
Aleluia, aleluia, aleluia (Jo 15,16) Eu vos escolhi, foi do meio do mundo a fim de que deis um frito que dure.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos (Mc 16,15-18) Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, 15e disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! 16Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. 17Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados".
Estudo bíblico-catequético para o Domingo das Conversão de São Paulo
1. Este ano comemora-se o bimilenário (dois mil anos) do nascimento do Apóstolo São Paulo. Retomando a primeira leitura, procure responder: => De qual povo Paulo era oriundo? (v. 3) => Ele nasceu fora da Terra Santa. Em qual cidade? Em qual província do Império Romano? (v. 3) => Paulo estudou a Lei de Moisés em Jerusalém. Quem foi seu mestre? (v.3). => O que Paulo fora fazer em Damasco? (vv. 4-5) => Qual o nome hebraico, original de Paulo? (v. 7) => Qual o nome do cristão que acolheu Paulo na Igreja e o batizou? (vv. 12-16) => Qual a missão de Paulo? (vv. 14-15).
2. Tome a sua Bíblia e enumere as cartas escritas por São Paulo: => Quantas são? => Observe que elas estão disposta por extensão e não por data. => Poderíamos resumi-las assim: # As duas cartas aos Tessalonicenses são dos anos 51-52. Tratam da questão da Vinda do Senhor e da vida em comunidade. # As duas cartas aos Coríntios são dos anos 56 e 57. Preocupam-se sobretudo com a unidade da Igreja, pois a comunidade estava extremamente dividida. Fala-se dos carismas existentes na comunidade, da Eucaristia, da sabedoria cristã que é diferente da sabedoria do mundo e combatem-se os falsos apóstolos. Aí São Paulo também apresenta sua defesa contra as más línguas de Corinto. # A Carta aos Gálatas foi escrita entre 49 e 57. Nela São Paulo defende a liberdade do cristão diante da Lei de Moisés: somos salvos pela fé em Jesus e não pela prática do Antigo Testamento! # A Epístola aos Filipenses é do ano 56 ou 57. O Apóstolo encontra-se preso. É uma carta cheia de afeto, pois a comunidade filipense era a preferida de Paulo. Ele apela para a unidade da comunidade, segundo a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo. # A Epístola aos Romanos é a principal de São Paulo. Foi escrita pelo ano 58. Aí ele apresenta os grandes temas da fé cristã: todos precisam de Cristo para chegarem à salvação, em Cristo temos o perdão dos pecados e somos novas criaturas no seu Espírito Santo, Cristo é o novo Adão que redime o pecado do mundo, fruto do primeiro Adão, a comunidade cristã deve ser sinal da salvação de Cristo ante o mundo. # O bilhete a Filêmon é de 58 a 60 ou 61 a 63 e foi escrito na prisão. Trata de um escravo que Paulo tornou um irmão pelo batismo. # Da mesma época são as Cartas aos Efésios e aos Colossenses. Tratam do mistério de Cristo: nele tudo foi criado e tudo deve chegar à plenitude; a Igreja é a comunidade donde vem a salvação, pois ela é corpo do Cristo, que é sua cabeça; o cristão é o homem pleno, pois tem a plenitude de Cristo e dela deve aprender a viver. # Finalmente, as três cartas chamadas pastorais: duas a Timóteo e uma a Tito. São dos anos 65 a 67 (segundo outros, dos anos 70 a 80). Apresenta os ministérios na Igreja, transmitidos pela imposição das mãos, dando a sucessão apostólica. Insiste-se também em guardar a Tradição apostólica e evitar as heresias. Nelas aparece o testamento de Paulo, que combateu o bom combate e guardou a fé até o fim. # A Carta aos Hebreus não é de são Paulo, mas de algum discípulo seu e foi escrita antes do ano 70. Aí faz-se uma profunda exposição sobre o eterno sacerdócio de Jesus Cristo.
3. Quanto à segunda leitura, observe: => São Paulo, tendo diante dos olhos a Vinda de Cristo, lembra aos cristãos que devemos viver de tal modo que coloquemos tudo em função do Senhor: só ele é importante e só ele é definitivo. => Pense um pouco: isto que o Santo Apóstolo ensinou ele mesmo viveu e disso deu o exemplo. Leia 2Tm 4,6-8.
4. Agora releia o Evangelho: => O mandato apostólico continuará na Igreja até o final dos tempos: "Ide, anunciai o Evangelho!" => Os primeiros responsáveis por isso são os Bispos. Mas, também todos os cristãos, pelo Batismo e a Crisma, são constituídos testemunhas e anunciadores do Cristo Jesus. => Pense um pouco: como compreender as palavras de Jesus sobre os sinais que acompanharão os missionários? Devemos tomá-las ao pé da letra? Significam que o Senhor estará sempre conosco, vai nos dar força, vai nos defender e sustentar contra o mal e, através de nós, quando e como lhe aprouver realizar maravilhas na humanidade. Só isso.
4. Paulo fez três viagens missionárias e uma última, preso, até Roma. => Essas viagens mostram o amor de Paulo por Cristo e seu ardente e inquieto desejo de levar Jesus a toda a humanidade. => Graças a ele os pagãos não somente receberam a fé no verdadeiro Deus como também, pela sua doutrina e profunda teologia, foram dispensados das práticas do judaísmo: a circuncisão, a dieta alimentar, o cumprimento dos preceitos do Antigo Testamento. É preciso cuidado para não recair nisso, sobretudo quando tantas seitas cristãs nos querem impressionar com citações do Antigo Testamento. Essa gente fica escrava da letra da Lei e não chega a compreender o Espírito novo que Jesus Senhor nos deu e nos libertou da prática judaica! => O Cristo que Paulo anunciou com a palavra e mostrou com a vida, foi por ele testemunhado com a morte. No ano 64 ele foi martirizado em Roma, sendo decapitado e sepultado onde hoje se ergue uma enorme Basílica em sua honra: a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, porque ele foi sepultado fora das antigas muralhas da cidade.
Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430), Bispo e Doutor da Igreja:
«O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram é o Verbo da Vida.» (1Jo 1,1) Como podemos nós tocar com as nossas mãos o Verbo, se não porque: «o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco» (Jo 1,14)? Este Verbo, que se fez carne para ser tocado pelas nossas mãos, começou por se fazer carne no ventre da Virgem Maria. Mas não foi nessa altura que Ele começou a ser o Verbo, porque já o era «desde o princípio», diz São João.
Talvez alguns entendam «Verbo da Vida» como uma expressão vaga para designar Cristo, e não rigorosamente o próprio corpo de Cristo, que as mãos tocaram. Mas vede a continuação: «de fato, a Vida manifestou-se» (1Jo 1,2). Cristo é, pois, o Verbo da Vida. E como se manifestou essa Vida? Ela existia desde o princípio, mas ainda não se tinha manifestado aos homens: mas apenas aos anjos, que a viam e que dela se alimentavam como se fosse o seu pão. É o que diz a Escritura: «Comeram todos o pão dos fortes» (Sl 77,25).
Portanto, a Vida manifestou-se, a si mesma, na carne; foi colocada em plena evidência para que uma realidade anteriormente apenas aparente ao coração se torne igualmente visível aos olhos, a fim de curar os corações. Porque apenas este vê o Verbo; a carne e os olhos do corpo não o vêem. Nós éramos capazes de ver a carne, mas incapazes de ver o Verbo. O Verbo fez-se carne, que nós podíamos ver, para curar em nós aquilo que devia ver o Verbo.
Das obras de Ruperto de Deutz (1075-1130), monge beneditino:
«Com grande alegria rejubilei no Senhor e o meu coração exulta no meu Deus» (Is 61,10). A vinda, a presença do Senhor de que fala o profeta neste versículo é o beijo que deseja a esposa do Cântico dos Cânticos quando diz: «Ah! Beija-me com ósculos da tua boca!» (Ct 1,2). E esta esposa fiel é a Igreja: nasceu dos patriarcas, noivou em Moisés e nos profetas; com o desejo ardente do seu coração, suspira pela vinda do seu Bem-Amado.
Cheia de alegria, agora que recebeu este beijo, exclama na sua felicidade: «Eu exulto de alegria no Senhor!» Participando nesta alegria, João Batista, o ilustre «amigo do Esposo», o confidente dos segredos do Esposo e da esposa, o testemunho do seu amor mútuo, declara: «Quem tem a esposa é o esposo; e o amigo do esposo, que o acompanha e escuta, alegra-se sobremaneira, ouvindo a voz do esposo. Essa é a minha alegria, que agora é completa» (Jo 3,29).
Indubitavelmente, o que foi o precursor do Esposo no seu nascimento, o precursor também da sua Paixão quando desceu aos infernos, anunciou a Boa Nova à Igreja que se encontrava à espera.
Por conseguinte, este versículo ajusta-se completamente à Igreja jubilosa que, na mansão dos mortos, se apressa a ir ao encontro do Esposo: «Com grande alegria rejubilei no Senhor e o meu coração exulta no meu Deus». E qual é a causa da minha alegria? Qual é o motivo do meu júbilo? «Porque me revestiu com a roupagem da salvação e me cobriu com o manto da justiça» (Is 61,10).
Em Adão, tinha sido despida, tinha tido de juntar folhas de figueira para esconder a minha nudez; miseravelmente coberta de túnicas de pele, fui expulsa do paraíso (Gn 3,7.21). Mas hoje, o meu Senhor e meu Deus converteu as folhas em roupagem da salvação. Pela sua Paixão, ele revestiu-me com uma primeira roupa, a do batismo e da remissão dos pecados; e, no lugar da túnica de peles da mortalidade, envolveu-me numa segunda roupa, a da ressurreição e da imortalidade.
Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430), Bispo e Doutor da Igreja:
«João encontrava-se de novo ali, com dois dos seus discípulos». João era de tal maneira «amigo do Esposo», que não procurava a sua própria glória, limitando-se a dar testemunho da verdade (Jo 3,29.26). Ter-lhe-á ocorrido reter os seus discípulos, impedindo-os de seguir o Senhor? De maneira nenhuma. Pelo contrário, aponta-lhes Aquele a Quem devem seguir. «Por que permaneceis ligados a mim?», pergunta-lhes. «Eu não sou o Cordeiro de Deus. Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira os pecados do mundo».
A estas palavras, os dois discípulos que estavam com João seguiram Jesus. «Jesus voltou-Se e, notando que eles O seguiam, perguntou-lhes: "Que pretendeis?" Eles disseram-Lhe: "Rabi, que quer dizer Mestre, onde moras?"»
Ainda não O seguiam de maneira definitiva; sabemos que se ligaram a Ele quando os chamou a deixarem a barca, quando lhes disse: «Vinde após Mim e Eu farei de vós pescadores de homens» (Mt 4,19). Foi a partir desse momento que se ligaram a Ele para nunca mais O deixarem. Para já, queriam ver onde Jesus morava, e pôr em prática aquela palavra da Escritura que diz: "Se vires um homem sensato, madruga para ir ter com ele, e desgastem os teus pés o limiar da sua porta. Fixa a tua atenção nos preceitos de Deus» (Eclo 6,36-37).
Jesus mostrou-lhes, pois, onde morava; e eles ficaram com Ele. Que dia feliz aquele! Que noite bem-aventurada! O que eles terão ouvido da boca do Senhor! Construamos, também nós, uma morada no coração, ergamos uma casa onde Cristo possa vir instruir-nos e conversar conosco.
Amanhã é a posse de Barack Obama. Gosto dele, agrada-me o modo como está levando adiante a transição: com modéstia, sem demagogia, sem estrelismo, sem declarações contundentes e respeitando o atual Presidente, que está no comando do País.
O que não me agrada nada é a atitude da imprensa, especialista em criar realidades fictícias, factóides virtuais. Primeiro, demonizou o Presidente Bush, que tem lá seus méritos e não é o estulto que os meios de comunicação fizeram o mundo crer que ele seja.
Depois, o modo como endeusa Obama. Fazem dele o salvador, o marco de uma nova era, o justiceiro dos pobres, a luz que tira o mundo das trevas... E Obama não é nem pode ser nada disso!
Vivemos à procura do Novo, do Novo Tempo... Meu caro Leitor, o Novo é Cristo, o Salvador é Cristo, a Novidade que não caduca é Cristo, o único que satisfaz nossas aspirações mais profundas é Cristo!
Quem dera que a humanidade tivesse diante dos olhos o verdadeiro Fundamento, o único Absoluto, Cristo-Deus, para aprender a avaliar os acontecimentos deste mundo na sua justa medida, sem divinizar o que é somente humano nem absolutizar aquilo que passa...